Alerta global contra o aquecimento

Em outubro de 2006, um relatório produzido pelo ex-economista-chefe do Banco Mundial, Nicholas Stern, encomendado pelo Ministério das Finanças do Reino Unido, causou espécie na comunidade internacional. Pela primeira vez um nome de peso da economia mundial produzia conclusões alarmantes a respeito do aquecimento global, juntando-se ao coro dos cientistas e ambientalistas que há décadas vêm alertando para o caminho sem volta que a humanidade está percorrendo com a mudança climática.

Stern calcula que o aquecimento global poderá provocar gastos globais de US$ 7 trilhões em dez anos, e afirma que o mundo precisaria gastar algo em torno de 1% do PIB mundial, cerca de US$ 350 bilhões, para resolver agora o problema do efeito estufa.

Um alerta tão contundente, vindo de um setor que normalmente trata a questão do aquecimento global como alarmismo sem fundamento de ecologistas, mostrou finalmente ao mundo que o problema da mudança climática não pode mais ser empurrado para debaixo do tapete.

No último século, a temperatura do planeta já subiu 0,6º C; nos próximos 100 anos, o aumento pode chegar entre 1,4º C e 5,8º C. Se isso acontecer, o planeta pode vivenciar conseqüências catastróficas.

No ano passado, o Greenpeace mostrou que o Brasil também precisa encarar o problema de frente, já que é vítima e vilão do aquecimento global. O mesmo país que dá um exemplo para o mundo usando fontes energéticas renováveis, como as hidrelétricas, o álcool e o biodiesel, ainda carece de investimentos na geração eólica e solar e, quando desmata e queima a Amazônia, libera tanto carbono na atmosfera que assume o constrangedor quarto lugar no ranking dos países que mais emitem gases de efeito estufa.

Para documentar os problemas que o aquecimento global já provoca no Brasil e propor soluções, o Greenpeace lançou, em agosto do ano passado, o relatório e o documentário “Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas”. O lançamento marcou o início de uma campanha de mobilização da sociedade brasileira para reverter o principal problema ambiental do século 21 com ações imediatas e eficientes dentro e fora do território brasileiro.

Como afirma o relatório Stern, só um esforço integrado imediato de todos os países pode impedir que o aquecimento global atinja proporções devastadoras para a humanidade. Um esforço hercúleo terá que ser feito pelos países industrializados, os principais poluidores, mas também pelo Brasil, que precisa assumir a sua responsabilidade como quarto maior emissor de gases estufa do planeta e adotar medidas para se adaptar e reverter o aquecimento global. Apenas com a conscientização de todos -- governos, indústrias, cidadãos -- conseguiremos vencer o que já se caracteriza como o maior desafio de nossa era.