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Sertão Mar - Glauber Rocha e a estética da fome
(Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome) |
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| R$ 44,90 |
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Na ocasião em que foi originalmente publicado, 1983, este estudo de Ismail Xavier, um dos mais produtivos estudiosos do cinema em atividade no Brasil, inovou ao propor uma análise histórica e teórica de filmes do cinema novo. Assim como Erich Auerbach encontrou em Hamlet as tensões sociais da Inglaterra elisabetana, Xavier procura as incongruências do Brasil na relação - nem sempre bem resolvida - do modernismo com a militância política presente na obra de Glauber Rocha. Para a análise, o autor contrapõe Barravento, primeiro longa-metragem de Glauber, de 1962, a O pagador de promessas, de Anselmo Duarte, lançado naquele mesmo ano; e Deus e o diabo na terra do sol (1964) a O cangaceiro, de Lima Barreto (1953). O texto que deu origem ao ensaio foi inicialmente concebido como uma tese de doutorado, apresentada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, em 1979, sob a orientação inicial de Paulo Emílio Sales Gomes e, após sua morte, de Antonio Candido.
Ismail Xavier é um dos mais prolíficos teóricos da cultura a trabalhar no Brasil. Em Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome, encontramos o germe da rica potencialidade de um método crítico inovador, que foi refinado ao longo dos anos, sem nunca perder em ousadia e relevância.
O livro trata de filmes da "fase heróica" do cinema novo, notadamente Barravento e Deus e o diabo na terra do sol, justapostos com seus contrapontos, O pagador de promessas e O cangaceiro. O método comparativo de Ismail permite que o estilo clássico e o moderno revelem seus segredos, iluminando-se mutuamente. A abordagem representou uma novidade na época, 1983, pois tinha a virtude de ser ao mesmo tempo histórica e teórica. Partindo da interação com os próprios textos, mas indo além da análise dos filmes, o crítico apresenta os dilemas estéticos e políticos do Brasil no começo da década de 1960. Inspirado em Erich Auerbach, que encontrou todas as tensões sociais na Inglaterra elisabetana na linguagem, dicção e ritmo de Hamlet, Ismail encontra as tensões do Brasil por meio da contradição discursiva do estilo de Glauber Rocha.
A autopercepção metodológica é uma das principais marcas de sua obra, cujos textos têm sempre um segundo nível de interesse, que ultrapassa o objeto específico da análise. Em Sertão Mar, por exemplo, não apenas disseca os filmes em seus próprios termos, como também num gesto metacrítico, interroga confusões metodológicas, tais como a fusão simplista de autor com narrador, superando as visões convencionais. Para o crítico, trabalhos perturbadores produzem o que chama, no contexto da alegoria, de um "deciframento ativo", por meio de uma análise formal, quase musical, dos ritmos, rimas e temporalidades do filme, mas onde são reveladas as reverberações sociais. Sua preocupação é com a política do estilo e a historicidade da forma, em que a tendência ideológica de um filme será encontrada na sua própria textura.
Por todas essas razões Ismail se tornou um influente teórico e crítico no mundo anglófono, onde já é bastante conhecido por conta das traduções de seus ensaios, entre eles, Alegorias do subdesenvolvimento, que deriva de sua tese, na New York University (1982). O livro atingiu, em primeiro lugar, os interessados no cinema brasileiro e latino-americano, mas o seu impacto teórico foi além e afetou aqueles que estudam questões mais amplas. Vale notar que Ismail começou a teorizar sobre a questão "alegoria nacional" antes do famoso ensaio de Fredric Jameson, "Third World Literature in the Era of Multinational Capitalism" (1986).
Demonstrando percepção aguda do debate teórico contemporâneo, ele tem incorporado novos assuntos com rara sutileza: sempre politizado, mas nunca panfletário; sensível, mas nada esteticizante; com informaçâo sólida, mas jamais beletrista. Numa época em que algumas versões dos "estudos culturais" fecharam prematuramente as possibilidades do texto em favor dos circuitos de recepção, Sertão Mar resgata o incrível poder de revelação da análise minuciosa quando feita com profundidade cultural, compreensão histórica e atenção metacrítica. (ROBERT STAM)
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| Autor |
Ismail Xavier |
| Cód.
Barras |
9788575036372 |
| Editora |
Cosac e Naify |
| Idioma |
Português,
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| Edição |
2007 |
| Formato |
15,5 x 22,5 x 1,7 cm |
largura
x altura x espessura |
| Nº
de páginas |
232 pág. |
| ISBN |
978-85-7503-637-2 |
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