O Atalante - (85 min.)
Jean, jovem capitão de uma barcaça a motor chamada de Atalante, casa-se com Juliette, filha de camponeses. Mal a cerimônia acaba e os dois vão viver embarcados, navegando pelos canais de Paris. Há uma crise entre os dois, Juliette foge para a vida noturna parisiense, e Jean mergulha numa profunda depressão causada pela ausência da amada.
O Demônio da Algéria - (93 min.)
A Casbah de Argel nos anos 30: uma rede inextricável de ruelas, casas de jogos clandestinas e traficantes. Pépe le Moko (Jean Gabin), um gângster de origem metropolitana reina na área, zombando até de policiais. Para capturá-lo, seria preciso que ele saísse do seu reduto, inacessível às autoridades. É o que tenta fazer o astuto inspetor Slimane (Lucas Gridoux). "O Demônio da Algéria" é considerado uma das pérolas negras rara do melodrama romântico francês, filmado na véspera da Segunda Guerra e inspirada vagamente em Scarface e num livro de um detetive parisiense. Jean Gabin marcou com sua poderosa personalidade a sorte desse "herói do submundo". Ganhou uma refilmagem dois anos depois em Hollywood com o nome de "Algéria", com Charles Boyer.
As Damas do bois de Boulogne - (85 min.)
Desejando vingar-se do abandono do amante Jean, Hélene (Maria Casarès), uma dama da alta sociedade, pede a uma dançarina de cabaret que seduza-o. Só que a vingança acabará se transformando num escandaloso romance. Um filme de gestos, de olhares, em que a emoção aflora sob a pureza das imagens. Neste terceiro filme de Robert Bresson ("Um Condenado à Morte Escapou" e "Pickpocket"), vemos uma nova dramaturgia distinta do que chamavam de "teatro filmado". Bresson, de formação pictória, visou usar os meios cinematográficos para exprimir a interioridade de um sentimento.
Esta original história de amor, baseado na novela de Denis Diderot, "Jacques o fatalista", e com diálogos escritos por Jean Cocteau, ficou conhecida pela rigorosa e deslumbrante direção de arte e fotografia, recebendo elogios entusiasmados do teórico André Bazin e de François Truffaut.
O Mistério de Picasso - (75 min.)
Igual um matador confrontando um touro, o artista aproxima-se do seu cavalete. Pablo Picasso, o mais influente artista do século XX, está fazendo arte, e Henry-Georges Clouzot, o famoso cineasta francês (As Diabólicas, O Salário do Medo), está fazendo um filme. Em 1955, Clouzot conseguiu convencer seu amigo Picasso a fazer um documentário de arte, onde ele registrava o momento da sua misteriosa criatividade. Para o filme, o mestre criou 20 telas. Usando uma tinta e papel especial, Picasso criou rapidamente fantásticos desenhos onde Clouzot foi filmando no lado inverso da tela, capturando sua criação em tempo real. Quando o artista decidiu pintar em óleo, Clouzot mudou a cor do filme e usou a técnica de animação em stop-motion. Pelo contrato, todas as telas pintadas foram destruidas quando o filme foi finalizado. O governo francês declarou em 1984 este documentário um tesouro nacional.
O velho lobo do mar Jules, ajudante de Jean, percebe a situação e sai em busca de Juliette. Aclamado pela crítica mundial como um dos mais belos e poético filme já realizado. Último filme dirigido por Jean Vigo, considerado o Rimbaud do cinema. Edição restaurada em magnífico preto e branco.