DISCO 1
A Batalha do Chile I - A insurreição da burguesia (1975, P&B, 100')
DISCO 2
A Batalha do Chile II - O golpe de estado (1977, P&B, 90')
DISCO 3
A Batalha do Chile III - O poder popular (1979, P&B, 82')
DISCO 4
Extras
* Classificação indicativa: inadequado para menores de 12 anos - Violência (agressão física)
João Moreira Salles, um dos mais importantes documentaristas brasileiros da atualidade, escreveu, a pedido da 2001 Vídeo, matéria exclusiva sobre o inédito A Batalha do Chile, considerado um dos melhores documentários latino-americanos já realizados.
A BATALHA DO CHILE
Por João Moreira Salles
Existem várias razões para um cineasta se dedicar ao documentário. Uma delas é o desejo de servir de testemunha, de estar presente para mais tarde poder dizer: "Foi assim que aconteceu". Talvez
A Batalha do Chile seja o mais importante documentário já realizado na América Latina precisamente pela força do que Patrício Guzmán testemunhou naqueles prodigiosos anos de 1972 e 1973. O resultado é um filme inegavelmente belo, decididamente épico e certamente trágico.
A Batalha do Chile cobre o período em que a Guerra Fria chegou às nossas portas. Trata-se da ascensão e queda de Salvador Allende, o presidente socialista que, pela via democrática, tentou implantar um regime marxista no Chile. Divido em três partes, o filme acompanha passo a passo todos os eventos que levaram ao golpe de estado de Augusto Pinochet em 11 de setembro de 1973, o primeiro 11 de setembro sombrio da história.
Guzmán filmou tudo, até o último momento. Greves, eleições, passeatas, comitês populares, manobras parlamentares, nacionalização de fábricas e de minas, manifestação de estudantes, desassossego da classe média, articulação militar e golpe de estado -
Batalha do Chile mostra o país como um organismo vivo cujas células, todas elas, estão em convulsão. Entre tantas seqüências históricas, o filme de Guzmán traz a cena do câmera que, alvejado por um policial militar, filma a própria morte.
Poucos dias depois do golpe, Guzmán foi detido em casa, levado ao Estádio Nacional e ameaçado de fuzilamento. Milagrosamente, foi solto. Já o seu notável cinegrafista, Jorge Müller Silva, foi seqüestrado pela polícia militar e nunca mais foi visto. As latas com o material bruto de
Batalha do Chile foram embarcadas clandestinamente num navio e chegaram intactas a Cuba. Dois anos depois,
Batalha do Chile estreava nos festivais de cinema. Ganhou quase todos.
Na Espanha, o jornal
Cambio 16 escreveu: "
A Batalha do Chile é o filme mais impressionante exibido em Cannes este ano". Na França, o
Le Monde acompanhou: "É a primeira obra de arte a encarnar uma nova forma de analisar a história." O
Los Angeles Times concordou: "Um documentário admirável sobre um país que é lançado no caos com a inevitabilidade de uma tragédia grega". E Pauline Kael, a mais influente crítica de cinema dos Estados Unidos, se perguntou: "Como uma equipe de cinco pessoas, algumas delas sem nenhuma experiência prévia, conseguiu produzir uma obra dessa magnitude?"
Minha resposta a Pauline Kael: ao longo daqueles anos, a história estava em marcha e havia alguém com a férrea disposição de não desligar a câmera.
A Batalha do Chile nunca foi exibido no Brasil. Pela primeira vez, o público brasileiro poderá assistir a um dos grandes filmes políticos da história do cinema.
, , , ,