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À Deriva em março

A Universal promete lançar para venda em março o elogiado À Deriva, dirigido por Heitor Dhalia. Bem-recebido na mostra 'Un Certain Regard' do Festival de Cannes, em maio de 2009, o longa-metragem é estrelado por Débora Bloch, a estreante Laura Neiva e o francês Vincent Cassel (Irreversível), que fala português no filme. Os extras ainda não foram divulgados.




Andrzej Wajda
Nasceu em 6 de março de 1926, na cidade de Suwalki (Polônia), filho de Jakub Wajda, oficial do exercito polonês, e da professora Aniela Wajda. Seu pai desapareceu pouco depois do início da Segunda Guerra Mundial, deixando o pequeno Andrzej e sua mãe sem nenhuma proteção - somente muitos anos depois descobriu que seu pai morreu em Katin, em 1940. A traumática experiência da ocupação alemã no país provocou o amadurecimento precoce do garoto que passou parte desse período trabalhando discretamente em vários empregos, procurando não chamar a atenção dos nazistas que enviavam aqueles que não exerciam nenhuma função para os campos de trabalho na Alemanha. O embrutecimento da força nazista atrapalhou em parte seu aprofundamento nos estudos. Mesmo assim, permaneceu resoluto em seguir sua carreira de pintor - paixão descoberta aos 15 anos de idade. Ao final do conflito, ingressou na Academia de Belas Artes de Cracóvia, onde estudou até 1949. Segundo Wajda, a influência da escola francesa de pintura na Academia contrastava com o espírito do povo polonês na época. Após todos os horrores que presenciou durante a guerra, e com a invasão de seu país pelo Exército Vermelho, defrontou-se com a nascente ideologia vinda da União Soviética. Os jovens artistas desse período, ainda sem perceber o que o futuro lhes preparava, absorveram em parte o realismo social imposto pelo regime soviético, retratando a vida dos operários nas fábricas e no campo. Mas, quando a ideologia comunista assumiu o controle da Polônia, Wajda sentiu a necessidade de buscar novos horizontes. Após ler em um jornal que a Escola de Cinema de Lodz estava aberta para novos estudantes, decidiu ingressar na carreira cinematográfica. Em 1952, formou-se em Lodz com um estudo sobre o cineasta soviético Sergei Eisenstein (O Encouraçado Potenkin). 
 
Wajda trabalhou como assistente do diretor Aleksander Ford antes de estrear na direção de longa com Geração (1954), que formaria sua famosa trilogia de guerra, completada por Kanal (1956) e Cinzas e Diamantes (1958). Essas três obras chamaram a atenção do mundo para o cinema realizado na Polônia e para a bravura de seu povo durante a Segunda Guerra Mundial. Ao desenvolver o roteiro de Geração, Wajda recusou-se a assumir o tom em parte panfletário do livro de Bohdan Czeszko no qual o filme se baseia, preferindo destacar a relação entre os três personagens principais. Nesse primeiro trabalho, percebemos o espírito independente e desafiador que guiou sua carreira, o que ele afirmou, em diversas vezes, ter sido uma herança paterna.  
Ao longo dos anos, seus filmes foram premiados nos principais festivais de cinema. O conjunto de sua obra recebeu o reconhecimento de prêmios honorários no Festival de Berlim e no Oscar.  
 
Envolvido com o partido Solidariedade, Wajda combateu a opressão socialista em filmes como O Homem de Mármore (1976) e O Homem de Ferro (1981), vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e tratou de questões intrínsecas ao seu povo, registrando a coragem dos poloneses durante a guerra, sempre tratando do indivíduo que luta contra a opressão e o totalitarismo. Com Danton - O Processo da Revolução (1983), realizou um dos melhores ensaios políticos da história do cinema, mostrando de forma crítica o embate entre forças opostas durante a Revolução Francesa. O filme rendeu a Wajda o César de melhor diretor, além do Bafta de melhor filme estrangeiro. Wajda dirigiu também várias peças de teatro desde o final dos anos 50, incluindo uma aclamada adaptação de Crime e Castigo, de Dostoievski.  
 
Com Katyn (2007), lançado nos cinemas brasileiros somente em 2009, voltou a concorrer ao Oscar de filme estrangeiro, com a história do massacre, determinado por Stálin, de mais de 20 mil poloneses por forças russas em 1940. Entre as vítimas do massacre (na época atribuído aos nazistas), um dos mais sombrios segredos da II Guerra Mundial, está o pai do cineasta - um dos oficiais do exército polonês aprisionados e mortos pela polícia secreta soviética. Além de realizar mais um belo e duro drama de guerra, que de certa forma retoma sua trilogia dos anos 50, Wajda honra a memória de seu pai e de toda uma nação.





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