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'Jornada nas Estrelas' (Star Trek) é provavelmente a série de maior influência no universo pop. Mas como surgiu este verdadeiro ícone cultural? Quais as histórias, curiosidades e detalhes que permeiam seus mais de 40 anos de trajetória? As respostas estão no 'Almanaque Jornada nas Estrelas'. Recheado de imagens, muitas delas nunca antes publicadas no Brasil, e até reproduções de documentos de época, o livro traz informações sobre todas as gerações da franquia (Série Clássica, A Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise), dos filmes e dos desenhos. Explora as referências literárias presentes nos roteiros e ainda conta com um capítulo bônus, que revela curiosidades sobre o novo filme de cinema, dirigido por J. J. Abrams. De quebra, o livro traz também as divertidas tiras de quadrinhos Sev Trek, produzidas pelo cartunista australiano John Cook e pela primeira vez reproduzidas numa publicação brasileira.

. Almanaque Jornada nas Estrelas - R$ 52,90

   

 
 

Salvador Nogueira

Salvador Nogueira tornou-se trekker e apaixonado pelos temas espaciais no final dos anos 80. Jornalista com especialização em ciência, foi durante muitos anos repórter do jornal Folha de S. Paulo. É criador do Trek Brasilis, principal site sobre Jornada nas Estrelas em língua portuguesa. Atualmente, é editor de ciência do G1, portal de notícias da TV Globo na internet, e colunista da rádio CBN. É autor de mais dois livros: Rumo ao Infinito (Ed. Globo) e Conexão Wright-Santos-Dumont: A Verdadeira História da Invenção do Avião (Ed. Record).

 
 

 
 

Jornada nas Estrelas se tornou um dos principais ícones da cultura pop mundial. A que se deve tal fenômeno por tanto tempo? 
Difícil apontar uma razão específica e dizer: foi isto que fez Jornada ser imortalizada na cultura pop. Há muitas razões possíveis, e aparentemente todas elas juntas produziram o fenômeno. Elenco aqui as que acho mais importantes. Em primeiro lugar, a construção dos personagens, complementares, simples e interessantes, ajudou a cativar a audiência. Depois, uma visão de futuro utópica, igualitária e inclusiva, mais otimista do que qualquer coisa feita em ficção científica desde Júlio Verne. E, por fim, uma embalagem sedutora, por assim dizer, com um visual diferente e colorido, que conseguiu se manter interessante com o passar dos anos, sem envelhecer aos olhos das gerações seguintes. Isso sem falar na qualidade dos roteiros e das atuações, que marcou época.

A série clássica enfrentou muitas dificuldades durante sua exibição nos anos 60. Por que a série foi cancelada após a 3ª temporada? 
Muito mais até do que hoje em dia (em que temos TV por assinatura e uma infinidade de canais), naquela época a briga por um espaço na grade de programação era terrível. E, para sua terceira temporada, Jornada nas Estrelas acabou perdendo uma batalha e teve seu horário mudado de segunda-feira para sexta-feira à noite. Sexta à noite é um horário ingrato, sobretudo para programas com apelo ao público jovem. A molecada não ficava (e não fica) em casa para ver TV. Esse foi basicamente o golpe de misericórdia no seriado, que foi cancelado após um ano nesse horário terrível.
Mas é interessante apontar que Jornada nunca teve um desempenho estelar em audiência -- pelo menos não pelos parâmetros da época. Naquele momento, as emissoras contavam a audiência somente pelo número total, sem se preocupar com as chamadas demographics, os públicos diferentes que a TV podia atingir. Pelo número geral, Jornada não ia muito bem. Mas qual não foi a surpresa quando, no ano seguinte ao cancelamento, a rede NBC começou a prestar atenção nessa audiência segmentada. Descobriram então que cancelaram um programa que atingia exatamente o público que eles queriam atingir: jovens adultos do sexo masculino. Se essas medidas de audiência já fossem usadas na época em que Jornada estava em produção, a série jamais teria sido cancelada.

Pioneira, Jornada nas Estrelas apresentou em seu castinguma miscigenação rara na TV americana dos anos 60, graças à presença de tripulantes como Hikaru Sulu, Pavel Checov e a tenente Uhura. Como a composição do elenco ajudou a popularizar a série no mundo? 
Claro que esse caráter inclusivo de Jornada nas Estrelas ajudou a arrebatar fãs ao redor do mundo. Mas o efeito não foi tão importante quanto se imaginaria. Na verdade, Jornada vai bem mesmo nos países de língua inglesa. Nos outros países, apesar de ter fãs fervorosos, eles não são suficientes para colocar a série de forma definitiva no mainstream.
O que foi mais importante nesse lance da tripulação miscigenada foi a capacidade de inspirar diversos grupos, pertencentes a minorias, a acreditar que poderia existir um mundo, no futuro, com espaço para eles. Isso foi muito legal, e foi ainda mais expandido nas séries subsequentes. Em A Nova Geração, havia um piloto cego (!) e um andróide na tripulação. Era a noção de que todo mundo, sem exceção, tem lugar no futuro, ajudando a criar a aura visionária de Jornada nas Estrelas.

Outra grande contribuição da série foi antecipar, através da imaginação de seus roteiristas, dispositivos tecnológicos bem à frente de seu tempo.  
Sem dúvida. Não é à-toa que nossos celulares se parecem tanto com os comunicadores da série. Na verdade, o criador do primeiro aparelho celular foi confessamente inspirado por Jornada na hora de conceber o design do produto. E muitos outros dispositivos do nosso dia-a-dia já estavam presentes lá.

A partir dos anos 80 começaram a surgir várias séries derivadas de Star Trek, como A Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise. Tem alguma favorita ou que queira destacar? 
Digamos apenas que a de que eu menos gosto é Voyager. Mas ainda assim tem um lugarzinho reservado no meu coração para ela.

Belamente editado e ilustrado, o Almanaque Jornada nas Estrelas já está sendo considerado por fãs da série e leigos como uma verdadeira bíblia sobre o assunto, incluindo até mesmo um guia de episódios da série clássica, além de entrevistas reveladoras do elenco. Fale sobre o extenso trabalho de pesquisa para o livro.
O trabalho de pesquisa foi, na verdade, um trabalho de amor conduzido por mim e pela Susana ao longo das últimas décadas. Quando surgiu a oportunidade de escrever um livro sobre o assunto -- o convite chegou primeiro a ela, que então me convidou para co-escrever --, não podíamos deixar passar. O estudo profundo da série a gente já fazia para a produção de artigos para a internet e para boletins de fã-clubes (ela começou colaborando com o fã-clube Frota Estelar Brasil, e eu sou o criador do site Trek Brasilis, www.trekbrasilis.org), e quando pintou a chance foi mais uma questão de encontrar uma maneira de organizar esse conhecimento todo de uma forma atraente para o leitor. Acho que conseguimos. E uma coisa bacana é que este é o primeiro livro sobre Jornada escrito no Brasil, por autores brasileiros. Com isso, ele traz conteúdo e referências que fazem mais sentido para nós, como um capítulo sobre os movimentos de fãs por aqui. 

Uma das curiosidades do livro é a lembrança dos desenhos animados produzidos entre 1973 e 1974, inspirados pela série original. Como era a animação? 
Os desenhos animados de Jornada são de fato curiosos: extremamente inventivos nos roteiros, extremamente baratos na produção. O estúdio desenvolveu um meio de "economizar" quadros durante a produção, fazendo imagens "genéricas" dos personagens. Isso tornou o projeto viável. E a ideia deu tão certo que depois foi replicada em outros desenhos de sucesso feitos pela mesma produtora, como He-Man e She-Ra.

Como bom trekker (especialista na série, diferente de um trekkie, iniciante), você já participou de muitas convenções com outros fãs. Como é a experiência? 
As convenções foram durante muito tempo um meio para que os fãs conseguissem ver episódios inéditos da série. Como hoje tudo já foi exibido na televisão e há lojas como a 2001, em que se pode encontrar muita coisa em DVD, elas acabaram perdendo o sentido. Mas sempre que há um evento trekker, é uma oportunidade para os fãs trocarem ideias sobre seu seriado favorito. E, para quem gosta, se vestir a caráter.

O livro traz um capítulo bônus que revela curiosidades sobre o longa-metragem recém-lançado nos cinemas. O filme tem agradado aos fãs antigos e às novas gerações que nunca viram a série clássica. O que achou do filme? 
Achei o filme sensacional. A melhor (e talvez única) estratégia de revigorar a franquia e trazer de volta os personagens clássicos, com uma leitura mais voltada para o século 21. O mundo mudou desde 1966, e Jornada precisa refletir isso para continuar no foco da cultura pop nos próximos anos. Nesse sentido, o filme tem um papel essencial. Sem falar que é uma aventura de tirar o fôlego, acessível para fãs e não-fãs. Espero sinceramente um renascimento de Jornada a partir do novo filme.

 

 
 





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