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Quando começou sua paixão pelos seriados e qual série marcou a sua infância?
Começou no início dos anos 60, quando assisti pela primeira vez ao Vigilante Rodoviário e ao Zorro, aquele produzido pela Disney. Acho que a série que marcou mais foi Disneylândia, que apresentava o que havia de melhor da produção da Disney, com séries como A Saga de Andy Burnett, vários desenhos do Pateta, do Donald, além dos bastidores dos grandes desenhos como Fantasia, A Bela Adormecida, e da superprodução Vinte Mil Léguas Submarinas.
Quando surgiu o projeto do Almanaque dos Seriados? Você teve algum colaborador?
Eu apresentei a idéia inicial para o Fred Botelho, da 2001, que iria lançar uma série de livros numa parceria com a Imprensa Oficial. Mas o projeto acabou não vingando. Eu fazia o programa Ele Disse, Ela Disse, na rádio Metropolitana, e o Marco Pólo, da Ediouro, me chamou para conversar sobre editar um livro sobre cinema. Foi quanto apresentei a idéia da enciclopédia de séries de TV. Como esse projeto ficaria muito complicado de realizar porque era muito extenso, acabamos fechando em produzir um almanaque ao estilo dos almanaques dos anos 70 e 80, já lançados pela Ediouro. Isso aconteceu por volta do final de 2004, quando fechei minha pesquisa básica e comecei a escrever o livro sozinho. Esse é o tipo de trabalho que não dá para ter um colaborador ajudando a escrever, porque tinha uma idéia definida sobre o que deveria conter cada texto. E assim nasceu o livro.
O Almanaque abarca mais de meio século de seriados. Eleja a melhor série de cada década, seguindo a cronologia do seu livro.
Você sabe que em qualquer eleição o resultado é algo que nunca agrada a todo mundo. Por isso, vou indicar algumas séries que deveriam ser melhor conhecidas pelos fãs de seriados. Nos anos 50, eu indicaria As Aventuras de Robin Hood, estrelada por Richard Green, produção feita na Inglaterra, com vários roteiristas que fugiram dos Estados Unidos para não serem perseguidos pelo macartismo. Nos anos 60, acredito que O Prisioneiro, produzido e estrelado por Patrick McGoohan, vale a pena conhecer. Só durou 18 episódios e mostra o que acontece quando um agente secreto resolve desistir da carreira de espião. Ele é enviado para a Ilha, um local desconhecido, onde outros espiões também estão presos. Em 1976, foi produzida a série Quincy – Corpo de Delito, mas que só foi exibida nos anos 80 pela Manchete. Mostrava o medito-legista R. Quincy, que resolvia investigar os casos policiais quando suspeitava de algo de errado no corpo de uma vítima que estava analisando. Foi um dos primeiros médicos criminalistas da TV. Nos anos 80, As Super-Gatas eram imbatíveis no bom humor e no modo diferente de agir como representantes da Terceira Idade. Uma produção que merece ser lançada em DVD. Millennium é uma série criada pelo Chris Carter, o homem do Arquivo X, que foi pouco vista pelo público brasileiro, mesmo em DVD. Ela é sinistra, mas tem histórias assustadoramente criativas. E nem me fale do século 21 por que tem muita coisa legal nele e ficaria complicado escolher.
Algum título ficou de fora? Qual foi a última série analisada no Almanaque?
Eu deixei de fora Damages, estrelada pela Glenn Close, que passa no AXN e mostra a atriz como uma advogada que remove montanhas com armas nucleares para ganhar uma causa na justiça. Também ficou de fora Pushing Daisies, uma fábula moderna sobre a dificuldade de as pessoas se relacionarem. Mas, numa própria revisão, eu vou incluir essas e outras interessantes.
Se puder, estabeleça alguma relação entre as séries atuais e as clássicas. O que mudou? Qual o impacto sobre o público?
O que mudou: a qualidade dos roteiros, cada vez mais a base do sucesso de uma série. Se o texto é bom, mas não impacta o público médio americano, ela não dura e sai do ar rapidinho. Além disso, as séries ficaram mais ousadas tanto na violência como no sexo, como 24 Horas, em que a tortura é um instrumento de trabalho do agente Jack Bauer. Séries como Família Soprano, Californication ou Weeds, que são criativas, bem escritas e com uma produção de alto padrão, estão em canais fechados nos Estados Unidos, mas disponíveis em DVD. O DVD é hoje a base da indústria de séries. O público pode alugar para conhecer a série como também comprar e assistir a tudo de uma vez, sem comerciais. É o paraíso para os fãs.
A internet tem algum impacto sobre a forma como apreciamos os seriados? Como você vê a pirataria hoje?
A internet funciona hoje para os fãs que não conseguem controlar a ansiedade. Eles criam blogs, fórum de discussões, e não medem esforços para revelar dados importantes da trama, frustrando uma grande maioria de fãs que estava esperando o próximo episódio. Os sites que fazem criam falsas expectativas nos fãs, dando informações que podem, inclusive, induzir a deixar de assistir. A mesma coisa acontece com esse povo que baixa episódios pela internet. Por mais que eles queiram dizer que é algo legal porque não pagam nada, continua sendo algo ilegal e frustrante em vários aspectos. A série tem um número definido de episódios, entre 13 e 24. Depois disso, ela é reprisada. Ninguém vai produzir mais episódios para contentar a ansiedade desse pessoal para saber mais sobre Lost ou Heroes. Não é uma telenovela. Controle sua ansiedade e espere pelo DVD.
Quais são seus próximos projetos?
Já estou fazendo um outro almanaque que vai ser tão divertido como esse de seriados. Aguardem. |
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